Penso que sem
negar a doutrina tradicional se trata de um desenvolvimento na compreensão do
aspecto positivo da ordem natural. Conhecimento que a Igreja desenvolveu após da queda da ordem social católica ao ser obrigada a exercer sua missão em uma sociedade secularizada e muitas
vezes hostil ao Evangelho. Contudo ao reconhecer a existência de uma relação
equilibrada entre o Estado e a religião, embora não seja uma relação elevada
apropriadamente pela graça, tal se mostrou um instrumento eficaz de
Evangelização, manutenção da ordem natural e da missão divina da Igreja no
presente estado de coisas.
Claro que além de apontar para os perigos do
laicismo, hostil a Igreja, a doutrina também denuncia os problemas de uma
abordagem fanática e fundamentalista da religião enquanto instrumento de dominação
política da sociedade civil. Problema que talvez não tenha sido vislumbrado
pelo Magistério no passado na ânsia de reconstruir a Cidade Cristã.
Claro que
nada disso inválida em absoluto a necessidade da santificação da sociedade, tão
cara ao Magistério atual, mas é algo que deve se desenvolver organicamente,
naturalmente por meio das famílias, instituições e depois através das
lideranças políticas. Penso que um exemplo disso é a própria Polônia onde a
realeza de Cristo brotou espontaneamente do coração do povo, antes de ser
favorecida oficialmente pela ordem política.
